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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

1971-08-00 - APELO AOS PORTUGUESES - CNSPP

Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos
LISBOA — PORTO — COIMBRA Constituída ao abrigo do Árt.° 199° do Código Civil

APELO AOS PORTUGUESES
No documento que institui a CNSPP, proclama-se com uma das suas finalidades "auxiliar por todas as formas legais os presos e as suas famílias, de modo a que  sejam minorados através duma acção solidária, os sofrimentos morais e materiais causados por uma legislação injusta e agravados por um tratamento desumano”.
Esta acção, como outras que esta Comissão Nacional tem procurado desenvolver no que das suas atribuições, não reveste um mero carácter assistencial, pois decorre de um sentido de responsabilidade para com aqueles que vitimas das injustiças e prepotências o poder, têm dado em muitos casos ao País o melhor da sua vida, lutando não por interesse pessoal, mas por aquilo que consideram o progresso e o bem da colectividade a que pertencem.
Em consequência, tem procurado a CNSPP organizar este trabalho por forma a que os auxílios sejam prestados o mais prontamente possível, a quem deles efectivamente necessita e sem distinção de grupos partidários, tendências ideológicas ou territórios de naturalidade, contanto que sejam vitimas do mesmo aparelho político-policial que a todos igual mente oprime e persegue.

1976-08-00 - Seara Vermelha Nº 06

EDITORIAL
Brejnevus vobiscum* ou o conciliador

O social-imperialismo russo, como qualquer força opressora, para dominar o mundo necessita de satisfazer duas funções sociais: a do carrasco e a do padre, é com uma espada na mão e uma cruz na outra que o novo Hitler, Brejnev, pretende dilatar o império a todos os cantos dos cinco continentes. Às suas quintas-colunas, ora compete sobretudo empunhar a espada, ora erguer a cruz.
No nosso País, a actuação dos nazis cunhalistas até ao 25 de Novembro tornou clara a sua natureza de carrascos do povo. Após o 25 de Novembro, o social-imperialismo ergueu a cruz e fez apelos lacrimosos á conciliação e ao entendimento.
Vestindo a sotaina de «independentes de esquerda» ou a sotaina da «esquerda» trotskista cardosiana do PS e pregando a «unidade», o «entendimento», o «todos são indispensáveis», a padralhada do social-imperialismo tudo faz para tentar suster a ira das forças patrióticas e democráticas e das largas massas populares. Nesta tarefa benediti­na coube papel de relevo à confraria dos cabeças-de-GIS do social-imperialismo que rodeiam Melo Antunes. A Artur Portela (então Duplo, hoje filho de Cunhal) coube a tarefa de fazer o sermão desta missa.

1976-08-29 - TODOS AO JULGAMENTO DOS CAMARADAS PRESOS - MRPP

TODOS AO JULGAMENTO DOS CAMARADAS PRESOS

DIA 1 - TRIBUNAL DA BOA-HORA. ÀS 10 h.

Na próxima 4ª feira, dia 1 de Setembro, encontra-se marcado um pretenso julgamento doo nossos camaradas presos, na sequência do assalto de um numeroso bando armado da UDPide, contra a; Sede do nosso Partido no Alto do Pina.
Como e do conhecimento do Povo, nesse dia, a "democrática" PSP, acorrendo pressurosa e solícita em defesa dos agressores social-fascistas e, após carregar brutalmente sobre as massas populares e os activistas e simpatizantes do nosso Partido que haviam acorrido em defesa da Sede, prendeu 3 camaradas nossos que foram de imediato alvo de violentos espancamentos. Perante o porte firme dos nossos camaradas em recusar a identificação, em exigir, isso sim, a identificação dos agressores da UDPide e a imediata presença de um advogados, as sevícias da PSP, dentro da própria esquadra do Alto do Pina, redobraram de intensidade.

domingo, 28 de agosto de 2016

1976-08-28 - 25 de Abril do Povo Nº 09

PREPARAR A RESPOSTA ADEQUADA

 “o movimento de unidade popular que estamos construindo será uma organização política de massas dotada de uma direcção própria, enraizada na vida e na luta do povo trabalhador".
 Estas palavras proferidas por Luís Moita no comício dos GDUP no dia 20 de Agosto devem ser realçadas pela importância que encerram. Elas são o anúncio de que está a ser construída a organização que materializa a alternativa popular para a situação de crise política e económica em que Portugal vive. Elas são o anúncio de que o 25 de Abril do povo, isto é, a hora de libertação para os explorados de Portugal, não pode ser encarado como objectivo distante e nebuloso, mas tem de ser encarado como uma meta a atingir. Elas são ainda o sinal de que os 800.000 votos em Otelo não foram votos inúteis, mas ponto de partida para a construção de uma verdadeira frente de massas em Portugal.
A importância das directrizes fornecidas aos GDUP para que eles se possam tornar nessa grande frente, de massas populares, com o seu próximo Congresso, não pode ser esquecida por todos aqueles que, querem tornar realidade os objectivos apresentados durante a campanha de Otelo. Essas tarefas consistem fundamentalmente em os GDUP encabeçarem as lutas e dinamizarem as organizações populares de base, alargarem-se a todos aqueles que lutam contra o regresso do fascismo e a recuperação capitalista, reforçarem a unidade e, democracia interna, dos GDUP, debaterem democraticamente todas as questões relacionadas com o Congresso, relançarem a sua actividade e elegerem as suas comissões concelhias e distritais, ao mesmo tempo que deve ser reforçado o papel dirigente da Comissão Nacional Provisória até à eleição de nova direcção.

1976-08-00 - Seara Nova Nº 1570

EDITORIAL

A institucionalização da vida política portuguesa vai-se processando gradualmente e conheceu fases determinantes durante o mês de Julho com a posse do novo Presidente da República e do primeiro governo constitucional.
O General Eanes, na sua tomada de posse, faz algumas declarações que será necessário sublinhar, não só pela importância imediata que têm, como pelo seu significado quando cortejadas com afirmações anteriores.
Numa fase em que se multiplicam os jornais de cariz reaccionário ou abertamente fascizante, hábeis e adestrados (a direita vai aprendendo de experiência em experiência e refinando os seus métodos de destruição da democracia) no manejo do insulto, da calúnia e da criação do clima propício ao golpe contra-revolucionário, afirmando despudoradamente a intenção de desejar fazer o país regressar ao período anterior ao 25 de Abril e levar a julgamento esse mesmo 25 de Abril, como Melo Antunes referiu tão corajosamente no seu discurso de despedida do cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros — é mais do que nunca significativo que o PR homenageie «a resistência à ditadura», reconhecendo-lhe o «duro e difícil caminho» que foi a sua (nossa) luta contra o totalitarismo.

1976-08-28 - Luta Popular Nº 378 - MRPP

Aumento do défice comercial inflação, dilatação do crédito
AGRAVAM-SE OS SINTOMAS DA CRISE ECONÓMICA

Segundo dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, a balança comercial portuguesa registou no primeiro semestre deste ano um saldo negativo de 27 941 milhares de contos (correspondendo a 54127 milhares de contos de importações e a 26186 milhares de contos de exortações) o que representa um aumento de 618 contos em relação ao ano transacto.
Nos cinco primeiros meses deste ano tal défice importava já em 26 054 milhares de contos, somente tendo sofrido um acréscimo de 887 contos no último mês, o que não deixa de ser «misterioso», face à evolução normal das estatísticas.
A existência deste défice deita por terra todas as balelas levantadas pelo Partido Socialista, o VI Governo Provisório e o actual Governo Constitucional segundo as quais a situação da economia portuguesa teria substancialmente melhorado desde que tal gente foi chamada a gerir o Estado dos capitalistas.

sábado, 27 de agosto de 2016

1976-08-27 - Tribuna Operária Nº 01

PROCLAMAÇÃO
1. Desde a sua criação, os sindicatos têm sido uma forma de organização das grandes massas trabalhadoras na luta por melhores salários, contra a exploração e a miséria. Embora sejam uma forma inferior de organização da classe operária, os sindicatos têm, contudo, uma grande importância para a educação e mobilização da classe operária e das amplas massas trabalhadoras.
2. Desde o seu aparecimento no nosso país, em fins do século passado os sindicatos tiveram um tal desenvolvimento que poucos anos antes do golpe fascista do 28 de Maio tinha sido constituída uma Confederação Geral do Trabalho que agrupava algumas dezenas de sindicatos e tinha perto de 90.000 aderentes.
Com a progressiva fascização da sociedade portuguesa, a que não escapavam os sindicatos, os trabalhadores foram-se desintessando da actividade sindical, desinteresse esse aumentado pela forte repressão exercida pelo regime fascista aos seus mais tímidos protestos, e os sindicatos tornaram-se em órgãos do poder fascista.