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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

1972-02-00 - Seara Nova Nº 1516

Aqui e Agora
O DESENVOLVIMENTO DE PORTUGAL

Na sessão de 2 de Fevereiro, o deputado Correia da Cunha teve a seguinte intervenção no período antes da ordem do dia da Assembleia Nacional:
Pela adesão de quatro países ao Mercado Comum, fui levado a reflectir, nos últimos dias, sobre o que somos e o que pretendemos vir a ser no concerto das nações. É altura, na realidade, de procurarmos resposta para esta questão crucial: o que é Portugal?
Indaguei, para mim mesmo, porque não estamos em condições de acompanhar outros pequenos países europeus no caminho que há-de conduzir à construção do maior bloco económico do Mundo. E como seria possível, por obra e graça da misericórdia divina, triplicar quase instantaneamente o nosso produto nacional e quintuplicar o nível do nosso investimento. Teríamos um país novo, com uma indústria forte, uma marinha mercante levando a nossa bandeira a todos os pontos do Globo, uma agricultura competitiva, uma população sadia e instruída. É esta a ideia que eu quero fazer do meu país. Alinhei por sectores de actividade e infra-estruturais o que fui levado a saber sobre as suas necessidades. E concluí que a nossa grande riqueza ainda são os homens. Não farei, porém, comentários. Deixo o trabalho à apreciação da crítica de cada um de vós e à reflexão daqueles que estiverem interessados em construir uma pátria que seja simultaneamente mãe e refúgio para todos os portugueses.

1972-02-24 - INFORMAÇÃO - Movimento Estudantil


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1977-02-24 - Improp Nº 23 - III Série - Movimento Estudantil

Avaliação de Conhecimentos:
OS VELHOS MÉTODOS NÃO VOLTARÃO À ESCOLA!

A avaliação de conhecimentos, se sempre tem assumido um papel de grande importância no funcionamento da nossa escola, dada a sua estreita ligação com todos os outros aspectos do processo de ensino e aprendizagem (métodos e conteúdos das aulas, ritmos de matéria, etc.), vem neste momento, com a saída da legislação sobre a matéria, a estar novamente na ordem do dia.
A NOSSA EXPERIÊNCIA NESTE CAMPO
Quando logo a seguir ao 25 de Abril, encetámos as transformações no campo da avaliação de conhecimentos, estas corresponderam a alterações mais profundas no que respeita a conteúdos de matérias, métodos pedagógicos, ritmos de matérias, etc, que tinham por base, uma concepção de ensino diferente da até então aplicada: não um ensino baseado na "sabedoria toda poderosa" dos professores, que do alto da sua cátedra despejavam as suas teorias (por vezes as mais aberrantes) e que os estudantes na sua "humilde ignorância" teriam de acatar, sem discussão, em que só interessava pois, decorá-las; não é um ensino virado para a criação de uma mentalidade competitiva e individualista, através de meios como a ultra-selectividade da avaliação de conhecimentos, a imposição do trabalho individual, etc; mas sim um ensino virado para a compreensão crítica das matérias, que combata o estudo pela competição e pelo tacho, e que ao contrário, incentive o espírito de entreajuda entre os estudantes, de trabalho colectivo, etc.

1977-02-24 - Voz do Povo Nº 136 - UDP

Editorial
O governo usa e abusa da "Requisição civil”

Nas últimas semanas, muitas centenas de milhar de trabalhadores, num total aproximado de cerca de meio milhão, despontaram para a luta pelas suas reivindicações próprias: foram os pescadores e os trabalhadores da Marinha do Comércio; foram os estivadores e os trabalhadores do tráfego portuário; foram os trabalhadores das indústrias têxteis, vestuário e confecções; foram os trabalhadores da Função Pública.
As reivindicações gerais que os mobilizaram para a luta tinham todas em comum dois pontos: defesa de conquistas importantes consagradas nos contratos colectivos de trabalho acordados anteriormente, e reajustamento das condições salariais e outros benefícios complementares que constam dos cadernos reivindicativos aprovados pela negociação pelos sindicatos de cada sector. Tratava-se, como convém sublinhar, de reivindicações predominantemente económicas, orientadas para a defesa de algumas conquistas sociais importantes alcançadas pelas classes trabalhadoras após a revolta libertadora do 25 de Abril, que a política antipopular do Governo PS ameaça liquidar, e esta característica de defesa era o seu denominador comum.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

1972-02-00 - Os Povos das Colónias Vencerão! Nº 01 - CLAC's Vencerão!

    VIVA A GUERRA JUSTA POVOS DAS COLÓNIAS

Operários, trabalhadores, soldados, estudantes,
O povo português está à 45 anos submetido a tirania fascista, privado dos mais elementares direitos políticos, vigiado e torturado pelos assassinos da pide, até mesmo as simples lutas por aumento de salário são brutalmente reprimidas e os elementos mais combativos lançados para a prisão. A besta fascista cai com uma ferocidade desesperada sobre os que procuram organizar as massas para acabar com o capitalismo, causa de todos os males, da miséria e do sofrimento do povo português. Apesar de todo um aparelho de Estado voltado para a repressão, dos milhares de contos gastos com a pide, a PSP, a GNR, a legião, o Exército, a censura os Tribunais, etc., o fascismo acabará irremediavelmente por ser liquidado pelas massas populares. A prova está nas gloriosas lutas que o povo português travou no passado contra o fascismo.

1977-02-23 - O Proletário Vermelho Nº 67-68

EDITORIAL
CACIQUES E PEDINCHÕES

Na «tradição» social que meio século de fascismo consolidou após toda a longa monarquia absolutista, existem alguns «personagens» que, talvez por pudor, os romancistas de usos e costumes pouco desenvolveram. Dois deles habitam ainda hoje os comportamentos e os raciocínios de boa parte, enorme parte do português. Trata-se do cacique e do pedinchão.
SOMOS ASES
Em cada um de nós que aprendemos o alfabeto e as maneiras pela cartilha marcelista da Mocidade, existe uma boa dose de um e outro, desequilibrados para o lado que a condição social e a força económica justificam. Ser lusíada é pois ser igualmente um pouco de cacique e um pouco de pedinchão.
Se a vida corre de feição e os ventos da fortuna afloram os tectos do casebre, lá vai o português à rua, de calça afiambrada e bota de prateleira, se não de chapéu à mazantina e espora a tilintar, ostentar espaventos, franzir o ce­nho à malta de ontem e botar o óbulo na mão do senhor cura. Na curva seguinte da vida porém, quando arriba o tempo das vacas magras e se encurta o olho de azeite no caldo das cebolas, ei-lo a exportular misérias e desditas lamurientas com a mesma desenvoltura dos arrotos de pescada da véspera.

1977-02-00 - PROPOSTA DE REGULAMENTO INTERNO DO I.S.C.T.E. ~Movimento Estudantil

PROPOSTA DE REGULAMENTO INTERNO DO I.S.C.T.E.

Princípios Fundamentais da Gestão Democrática

PORQUE ESTA PROPOSTA DE REGULAMENTO?
Esta proposta de regulamento surge sob o lema — HÁ QUE PRESERVAR E APROFUNDAR A GESTÃO DEMOCRÁTICA NAS ESCOLAS.
É certo que os órgãos da Gestão, seja o Conselho Directivo, seja o Conselho Cientifico ou Pedagógico, são sempre parte do aparelho de Estado s a sua articulação com o MEIC, reflecte sempre as contradições existentes no próprio aparelho de Estado. Mas como paralelamente são eleitos pelo conjunto da escola, ou seja obedecem a princípios democráticos, são susceptíveis de ser controlados pelo conjunto dos estudantes, professores e funcionários, convertendo-se em instrumentos importantes, ainda que com limitações e condicionalismos de transformação democrática da escola. Não são, nem nunca serão os instrumentos fundamentais dessa transformação: pois não podem substituir-se aos órgãos autónomos dos estudantes, como a Associação de Estudantes, Comissões de Curso ou outros que venham a ser criados — mas seria extremamente grave, para o movimento estudantil e popular nas actuais condições de consciência e mobilização, adoptar no Ensino Superior, qualquer das duas posições seguintes (e que têm sido também defendidas no ISCTE):